O apóstolo Pedro referia-se a Jesus em suas cartas como “Senhor e Salvador” e isto não é uma casualidade. Muitos crêem que é possível ser salvo apenas crendo em Cristo como Salvador espiritual, mas se recusam, ainda que de modo inconsciente, a aceitá-lo como Senhor de suas vidas. Muitos dos que aceitam a Cristo como Salvador o chamam também Senhor, mas estes na verdade estão se referindo ao senhorio de Cristo sobre sua vida espiritual, mas não sobre a sua vida secular.
A maioria dos cristãos entrega a Cristo o senhorio de algumas áreas de suas vidas, mas ainda se reserva o direito de dirigir aquelas áreas que lhe são mais caras. Entretanto, este é um grande equívoco, pois Deus não assume o senhorio parcial de uma vida. Deus não habita um coração dividido, porque a nossa vida material está intimamente relacionada com a nossa vida espiritual.
O primeiro inimigo do homem está dentro dele mesmo: o seu próprio ego. O egoísmo e a sua consequência, o orgulho, constituem o egocentrismo; que é a maior obstáculo que se interpõe entre o homem e Deus.
Na antiguidade, durante muito tempo, o homem, movido pelo egocentrismo, acreditava que a Terra fosse o centro do sistema solar. Creio que foi a contragosto que a humanidade se viu forçada a reconhecer que a Terra era apenas um dos planetas do sistema solar e que na verdade o sol era o centro desse sistema. No plano existencial, o homem sempre alternou a concepção do centro do universo entre Deus e ele próprio, criando ao longo do tempo sistemas filosóficos conhecidos como teocentrismo e antropocentrismo respectivamente.
No plano individual, repete-se esse mesmo fenômeno, na medida em que em um momento colocamos o nosso ego como centro de nossa existência, e em outro momento reconhecemos Deus como sendo o centro de nossas vidas. Na maior parte do tempo, vivemos sob a primeira condição; pois o negar-se a si mesmo requerido por Cristo para os que realmente querem segui-lo é a decisão mais difícil de ser tomada, na jornada espiritual de cada um. Entretanto, sem tomar essa decisão é impossível seguir a Cristo e sem seguir a Cristo é impossível a salvação, pois a negação de si mesmo é o indicador principal de arrependimento verdadeiro e de autêntica conversão de vida.
Deus não obriga aqueles que reconheceram a Cristo como seu Salvador a aceitá-lo também como seu Senhor, pois esta é uma decisão que cabe a cada indivíduo tomar em seu íntimo. Deus não nos obriga a deixarmos de ser egocêntricos, mas sem isso, é impossível a Ele restaurar as nossas vidas e edificar em nós o verdadeiro caráter de Cristo.
Todo verdadeiro filho de Deus torna-se antes de tudo um servo, assim como Cristo se fez servo em Jesus, para cumprir a vontade do Pai. Somente aqueles que, assim como Cristo, renunciaram a si próprios, esvaziando-se do seu eu, desenvolvem em seu caráter os traços básicos para servir a Deus, traços estes que Ele não nos pode conceder. Estes requisitos são características de caráter típicas de cada pessoa, e que distinguem entre os verdadeiros e os falsos filhos de Deus; entre os verdadeiros e os falsos discípulos de Cristo. Entre esses traços de caráter, quatro são essenciais:
FIDELIDADE
Deus busca verdadeiros adoradores, aqueles a quem Ele possa realmente confiar a sua obra. Pessoas com zelo por sua obra, como Jacó, Davi e Paulo, pessoas capazes de negar-se a si mesmas e colocar em primeiro lugar em suas vidas a obra de Deus. Isso significa sobretudo estar sempre disponível para Deus e não estar dividido entre os cuidados e prazeres do mundo e as coisas do seu Reino. Pessoas perseverantes, que não abandonam a obra diante do primeiro obstáculo, nem a negligenciam por julgá-la pequena demais. (Lucas 16:10; Mateus 16:24)
HUMILDADE
Deus procura pessoas que reconheçam realmente, e não apenas racionalmente, que assim como nenhum mérito elas têm em sua salvação e que elas são salvas apenas pela graça de Deus; que também não são elas que realizam as obras que lhe foram confiadas, mas que é Deus quem realmente opera através delas, e que elas são portanto apenas instrumentos nas mãos poderosas do Senhor.
Pessoas que não se envergonhem de servir o seu semelhante, por mais humilde que ele seja, que não façam acepção de pessoas e que não se gloriem em nenhum dos feitos operados por Deus através delas.
Pessoas que saibam obedecer a quaisquer autoridades a que estejam sujeitas, inclusive a suas lideranças na igreja. (Mateus 18:4; Mateus 20:25-27)
INTEGRIDADE
Ser íntegro é ser sincero e verdadeiro sob quaisquer circunstâncias e em qualquer lugar. Ser íntegro é não mentir, não ser hipócrita, não fingir quaisquer sentimentos, não bajular e não tomar partido de quem quer que seja, por motivos pessoais. Integridade é também ser honesto nos negócios e no relacionamento com as autoridades constituídas e com subordinados. (Romanos 12:9; Lucas 12:1; Filipenses 2:3; Jó 2:3, Provérbios 2:21)
RETIDÃO
Para servir a Deus também é necessário ter um coração reto. Isso significa ter um coração puro, não pervertido pela maldade, pela cobiça das riquezas e pelas paixões carnais. (Levitico 21:17; Lucas 8:14-15; Jó 2:3, Provérbios 2:21)
Podemos buscar servir a Deus de várias maneiras, mas as obras que Ele aceitará de nossas mãos como frutos verdadeiros do seu Espírito são apenas as obras de seus verdadeiros servos, em quem Jesus não encontra iniqüidade. (Mateus 7:22-23)
Se não deixarmos de ser egocêntricos, vamos ser sempre crentes carnais, incapazes portanto amar realmente a Deus, pelo que Ele é, e não apenas pelo que Ele faz por nós. Enquanto o nosso ego continuar ocupando o centro de nossas vidas; vamos sempre amar um Deus abençoador, mas não o Senhor, o Criador onipotente, que é infinitamente maior que as suas bênçãos. Como consequência disto, também não seremos capazes de amar nosso semelhante nem de produzir em nossas vidas o fruto do Espírito.
O apóstolo Paulo nos oferece um testemunho vivo e sempre atual deste grande combate íntimo entre o novo homem, nascido da água e do Espírito, e o velho homem que ainda subsiste na natureza humana de todo cristão, e que somente pode ser subjugado pelo poder do Espírito. Em Romanos, Paulo fala da dificuldade de vencer a natureza pecaminosa do velho homem:
Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus;
Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros.
Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? (7:22-24)
Em sua primeira carta aos Coríntios, Paulo fala também da importância de negar a si mesmo e tomar a sua cruz, como verdadeiro servo de Cristo:
Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado. (26-27)
Paulo podia, sem dúvida, assim como Pedro, afirmar que Cristo era o Senhor de suas vidas. Quantos cristãos hoje, podem dizer o mesmo?
domingo, 8 de agosto de 2010
O Inimigo Íntimo
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Parabéns Washington, Bênção de Deus!
ResponderExcluirQue o mesmo possa alcançar muitas vidas através da palavra de Deus.
Grande abraço,
Fica na Paz.