Embora todos nós tenhamos, ao longo de nossas vidas, momentos em que demonstramos força e determinação e momentos em que fraquejamos; podemos distinguir, conforme a sua atitude usual diante das tribulações e dos desafios da sua própria vida, pessoas naturalmente fortes e pessoas naturalmente fracas. Como é triste e deprimente a vida de um homem fraco!
Quando fisicamente fraco,tem constituição e saúde frágeis. Não pode oferecer a mão a alguém que se afoga ou cai de um precipício. Não pode ajudar seu vizinho a levantar uma carga.
Quando emocionalmente fraco,é hipersensível e facilmente sugestionável. Não pode oferecer consolo a alguém que sofre, porque ele mal consegue suportar sua própria angústia.
A pior das fraquezas entretanto, é a de caráter, pois impede o homem de se aproximar de Deus. O indivíduo que tem um caráter fraco, muda facilmente de opinião, mente frequentemente, procurando se adaptar às pessoas com quem convive. Não pode construir uma família em bases sólidas, pois não serve como pilar de sua fundação. Não pode conduzir nenhum empreendimento com sucesso pois não pode vencer as dificuldades que encontra pela frente. Um homem de caráter fraco geralmente é egocêntrico, tímido, inseguro, suscetível a críticas, intolerante para com aqueles que o desagradam, facilmente irascível, melancólico e vive mergulhado em sua autopiedade.
O construtor ao escolher a madeira para sua obra, separa as varas fortes e descarta as varas fracas, pois sabe que elas irão comprometer a obra. O mundo descarta os fracos, pois pouca utilidade eles têm para a sociedade. Eles são chamados perdedores, desprezados e relegados à escória social.
Creio que o próprio diabo rejeita os fracos, pois eles não se prestam a seus planos, que requerem uma personalidade forte e ambição de poder. Eles são por isso tratados por ele como escravos, pisados e humilhados.
Deus entretanto não descarta o fraco, mas estende a ele também a sua mão misericordiosa, desde que ele lhe seja fiel e não seja um covarde (Apocalipse 21:8). Deus não pode fortalecer um fraco apenas porque ele está desesperado, a ponto de dar cabo de sua própria vida. Essa aliás, é a culminação do desespero que domina a sua alma, o supremo ato de covardia, a confissão de sua derrota existencial.
Há esperança para o fraco: a sua própria vontade. A vontade é o atributo mais precioso que Deus concedeu a cada homem. É através de sua vontade que um homem pode escolher entre os caminhos que levam à vida ou à morte.
É através de sua vontade que um homem pode escolher viver ou morrer. É através de sua vontade que um homem pode escolher vencer ou se render ao mundo.
Salomão escreveu, em seus Provérbios:
“Se te mostrares fraco no dia da angústia, a tua força é pequena.” (24:10)
Se um homem, mesmo sendo fraco, reconhecer a sua fraqueza e decidir encará-la frontalmente e superá-la, então Deus pode torná-lo um forte. Se o fraco, apesar de sua dor, decidir não se render e vencer a sua fraqueza, buscando para isto em Deus a força necessária, ele a encontrará.
Gideão, um humilde hebreu, foi chamado pelo Senhor a ser seu instrumento para dar a Israel vitória sobre a opressão dos midianitas que eles vinham sofrendo:
“Então o anjo do SENHOR lhe apareceu, e lhe disse: O Senhor é contigo, homem valoroso.” (Juízes 6:12)
Gideão no entanto sentia-se impotente para a grandiosa tarefa para a qual estava sendo convocado, mas Deus lhe assegurou a vitória:
“E ele lhe disse: Ai, Senhor meu, com que livrarei a Israel? Eis que a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai. E o SENHOR lhe disse: Porquanto eu hei de ser contigo, tu ferirás aos midianitas como se fossem um só homem.” (Juízes 15-16)
Deus deu a Gideão a força necessária para vencer os midianitas, porque encontrou nele um coração fiel, humilde e valente. Deus fortaleceu também a Davi, o menor entre seus irmãos, tornando-o capaz de vencer feras selvagens e gigantes, pelo mesmo motivo.
Um homem fraco, mas valente, torna-se um gigante, pois a sua própria coragem o fortalece e diante do perigo, da opressão e das dificuldades, ao invés de recuar e se esconder, dominado pelo pavor e pelo desalento, ele se levanta e luta, pois sua sede justiça e sua determinação de vencer o impelem.
Na verdade, existe muito mais que esperança para o fraco. Impelido por sua própria vontade, o homem fraco, mas valente, é capaz de vencer muitas lutas, mas sua vitória não é completa. Mas se ele tiver temor a Deus e decidir realmente vencer a si mesmo e o mundo, Deus então pode transformá-lo em um campeão, em um forte, em mais que um vencedor, pois Deus poderá restaurar a sua vida e construir nele o verdadeiro caráter de Cristo.
Para que Deus fortaleça o fraco, é preciso que ele queira antes de mais nada viver, e esteja disposto a empregar todas as suas forças para isto, e também que seja humilde o bastante para abandonar o seu egocentrismo e se colocar inteiramente nas mãos de Deus. É preciso que ele persevere e não se deixe dominar pela covardia nem pelo desespero, e se lembre diariamente do que Paulo disse a seu discipulo Timóteo:
“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.” (2Timóteo 1:7)
Deus não escolhe apenas os fortes, mas requer que os fracos sejam valentes, e não covardes. Na verdade, é mais fácil que um homem que é fraco, mas que é humilde e valente, entre no Reino dos Céus; do que um que é forte, mas que é também orgulhoso e egocêntrico.
Os fracos, quando valentes, tendem a confiar mais em Deus que os fortes, que tendem a confiar mais em sua própria força, julgando não dependerem de Deus. O apóstolo Paulo dá um exemplo seminal de como a fraqueza humana pode se transformar em poder, quando o homem se rende incondicional e completamente ao senhorio de Cristo. Em sua segunda carta aos coríntios,
Paulo relata a revelação recebida de Deus sobre suas fraquezas, motivo pelo qual se regozijava nelas:
“A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. Por isso, de boa vontade antes me gloriarei nas minhas fraquezas, a fim de que repouse sobre mim o poder de Cristo.
“Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco, então é que sou forte.” (12:9-10)
domingo, 24 de outubro de 2010
O Poder dos Fracos
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