quarta-feira, 13 de abril de 2011

Ainda Há Tempo

No passado, quando se dizia que algo estava escrito na Bíblia, isso era motivo bastante para profunda reverência e respeito. Nos dias atuais, quando se diz isso, a reação imediata é a pergunta: E daí?

Muitos ainda complementam: Isto não está escrito no Alcorão, nem nos Vedas, nem nos ensinamentos de Buda. Por que eu deveria crer na Bíblia?

Outros diriam: Estamos no século XXI, hoje temos conhecimento científico o bastante para nos lembrar do quanto éramos escravos de superstições e mitos religiosos. Há muito tempo a razão nos libertou das trevas da ignorância.

Outros ainda, mais pragmáticos, diriam: Se pessoas que se dizem cristãs são capazes de fazer coisas como as que fez a Igreja Católica no passado, coisas como as que ainda fazem tantos padres pedófilos nos dias de hoje e coisas como fazem tantos evangélicos fanáticos, então não quero crer na Bíblia. Não há diferença real entre um ateu e um cristão, pois se o cristão é capaz de fazer o bem e o mal, o ateu também o é. É impossível negar que há uma parcela de verdade em cada um destes argumentos. É verdade que no passado havia muita superstição e muita ignorância.

É verdade também que a Bíblia se assemelha em alguns aspectos a muitas outras obras de literatura sagrada de outras religiões. É verdade ainda que muitas pessoas não passam por uma verdadeira conversão espiritual e não têm o Espírito de Deus em suas vidas, apesar de se auto denominarem cristãs; e também é verdade que os cristãos cometem muitos erros, como o de julgar o seu semelhante e de muitas vezes praticar aquilo que eles mesmos condenam.

Entretanto, esta avaliação do cristianismo é falha devido a um erro grosseiro de julgamento, comum à maioria das pessoas não cristãs, que é o de avaliar o cristianismo pelos próprios cristãos. Ninguém com um razoável grau de cultura afirma; mesmo depois de passar por algumas experiências frustrantes com médicos; que a medicina não tem valor ou que tanto faz ir a um curandeiro quanto ir a um médico. Do mesmo modo, também não faz sentido julgar o cristianismo apenas pela conduta de seus seguidores. Embora os cristãos maduros e autênticos sempre demonstrem em suas vidas a plena compreensão e a prática dos princípios cristãos, isto geralmente não ocorre com muitas pessoas que iniciam sua jornada cristã, por dois motivos:

A primeira razão é o fato de que a compreensão da Verdade é um processo de iluminação espiritual, que varia de pessoa para pessoa e que de forma alguma é instantâneo. Deus concede a compreensão dos seus princípios na medida da pureza de sentimentos e da fidelidade demonstradas por cada um dos que se dispõem a se tornarem verdadeiros discípulos de Cristo.

O segundo motivo é que a santificação do cristão, isto é, a transformação de sua natureza egocêntrica em uma natureza cristocêntrica, é também um processo que tem início com a autêntica conversão espiritual a Cristo, mas que continua até o fim da vida terrena. O cristão não é aquele que jamais peca, mas aquele que sinceramente luta diariamente contra o pecado e que encontra em Cristo o poder para vencer esta luta.

Estou plenamente convencido de que é possível se tornar uma pessoa melhor sem o cristianismo, ou mesmo sem qualquer tipo de fé religiosa. O ser humano pode, sem dúvida, pelo poder da vontade, moldar a sua vida de forma a viver em harmonia com a natureza e com o seu semelhante, a abandonar vícios, a curar eventuais enfermidades, a realizar seus sonhos mais caros e até mesmo a se tornar uma pessoa menos egoísta e mais compassiva.

Mas estou absolutamente convencido também de que não é possível alcançar a salvação espiritual sem alinhar a vontade pessoal à vontade soberana de Deus. Não é possível alcançar a salvação e a vida eterna sem a o infinito amor e sem a graça misericordiosa de Deus, que é concedida a todos os homens através de Jesus Cristo.

Os padrões de justiça e santidade de Deus estão infinitamente acima do conceito humano de justiça, de harmonia natural e de integridade de caráter. Por mais íntegros e justos que possamos parecer aos olhos humanos, somos ainda pecadores aos olhos de Deus e por causa do pecado estávamos destinados à morte. Foi somente pela graça de Deus e por suas muitas misericórdias que não fomos consumidos (Jeremias 3:22). Foi apenas graças ao amor de Deus pela sua criação que podemos ser libertos do pecado e encontrar vida:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)
A Bíblia afirma que virá o tempo da execução do juízo de Deus sobre a terra, o Dia do Senhor. Serão dias de grande tribulação e aqueles que não houverem sido levados para junto de Cristo sofrerão toda a dor deste tempo; no qual Deus purgará deste mundo todo o mal que nele foi gerado e fará vir sobre ele uma nova ordem, criada sob novos céus e sobre uma nova terra. (Apocalipse 21)

O tempo de crer e de se preparar para este tempo é agora, tempo de atender a exortação do profeta: “Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto”. (Isaías 55:6) Ainda há tempo de ouvir o chamado de Cristo para a Grande Revolução, a revolução do espírito contra o domínio do ego, contra a escravidão estabelecida por Satanás sobre toda a carne neste mundo. Ainda há tempo de tomar sobre si o jugo suave de Cristo e aceitar o seu leve fardo.
Esta escolha deflagrará uma luta ferrenha entre a carne e o espírito, uma luta que é essencialmente individual, embora a batalha seja de toda a Igreja. O objetivo desta revolução é quebrar o angustiante ciclo de satisfação e insatisfação que mantém o eu escravizado à matéria; e desfazer a ilusão que ela exerce sobre sua psicologia. Rompido este ciclo, o coração pode se abrir então, livre para receber o Espírito e a graça de Deus.

Muitas filosofias e doutrinas espiritualistas pregam a aniquilação do eu como condição de libertação e realização espiritual. Entretanto, o que a maioria delas produz, na prática, é o surgimento de uma nova instância deste mesmo eu, mais sutil e requintada, uma espécie de “eu superior” que apenas transfere o egocentrismo grosseiro do plano animal humano para um plano abstrato, menos óbvio, porém não menos nocivo.

Somente a fé cristã pode realizar o milagre da libertação do eu de forma real, pois não procura apenas “dissolver o eu no todo” para construir em seu lugar um centro psíquico mais complexo com um nível de consciência mais amplo. Ela faz com que o individuo se “esvazie” do seu eu e receba; pela fé e pela graça divinas; a presença do Espírito Santo de Deus em seu íntimo, o que se tornou possível pelo sacrifício de Cristo, o Filho de Deus.

Ele esvaziou a si mesmo de sua glória celestial para experimentar na carne a existência humana. O homem deixa assim de ser egocêntrico para se tornar um ser cristocêntrico, ou seja, guiado pela vontade Cristo. Esse homem passa a experimentar então a verdadeira vida, e vem a se tornar ele mesmo uma fonte de águas vivas. (João 7:38)

Os que torcem o nariz diante da simples menção das Sagradas Escrituras, por a julgarem uma obra obscura e retrógrada, precisam se humilhar e reconhecer nelas o seu caráter eterno nas palavras do Mestre: “Passarão céus e terra, mas minhas palavras não passarão.” (Mateus 24:35) O cristianismo jamais envelhece, pois o Evangelho anuncia vida e renovação a todos os que sinceramente buscarem em Cristo saciar sua sede de transcendência, de verdade, de paz e de justiça; ou seja, o Anelo Primordial da Alma.

Muitos judeus ainda recusam o caráter messiânico de Jesus por que não veem o mundo redimido, mas cada vez mais mergulhado no maligno. Entretanto não se deram conta de que Cristo veio para redimir o homem e não o mundo e que todo aquele que verdadeiramente nele crer encontrará em Deus sua redenção. Cristo não veio curar o mundo de seus males, por que ainda não era chegado o tempo do Juízo; mas este tempo chegará; tão certamente como os dias e noites se sucedem e então Ele virá, em plena glória, desta vez sim para julgar e redimir o mundo e a sua Igreja diz, em júbilo: Maranata! Ora, vem, Senhor Jesus.

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