Certa vez, quando tinham se passado poucos meses após minha conversão, estava em uma biblioteca da PUC em Belo Horizonte e encontrei ali um livro que transformou radicalmente minha visão de vida.
O livro, Vinde Amados Meus, foi escrito por Frances Roberts, uma ministra de louvor, música de grande talento e uma grande serva de Deus. Abri o livro movido pela curiosidade, pois estranhei encontrar um livro evangélico na seção de psicologia daquela biblioteca.
Ao abrir o livro, deparei com um texto intitulado Cabeça ao Vento, que dizia: "Não tenho sempre consentido que soprem ventos favoráveis sobre as velas do teu barco, por que então ficarias ocioso e dentro em pouco, descansado e insensível. É quando o vento é de alta pressão e as ondas ameaçadoras, que te tornas alerta e arguto, e assim Eu posso fortalecer a tua fibra espiritual.
"A tempestade não é algo para se temer, mas antes para se recepcionar. Tu aprenderás a descobrir a tua cabeça ao léu do vento com absoluta delícia, tanto quanto farás a descoberta das mais clarividentes revelações de Mim mesmo nos tempos de tensão e de tristeza."
E foi exatamente isso que aprendi. Temos a tendência a abominar os períodos difíceis que temos muitas vezes que atravessar em nossas vidas, aos quais muitas vezes nos referimos como lutas ou provações.
Esta é uma reação natural humana, uma vez que esses períodos normalmente exigem de nós o máximo de nossa força física e emocional, e chegam muitas vezes a nos dar a impressão de que ameaçam a nossa própria sanidade mental.
Entretanto, a própria psicologia humana reconhece que é através dos desafios que temos que encarar ao longo de nossas vidas que amadurecemos emocionalmente e adquirimos sabedoria. Uma vida sem desafios ou tensão produz pessoas frágeis, medrosas e que geralmente desistem de seus objetivos diante dos menores obstáculos.
Em minha infância, fui poupado de muitas lutas por uma mãe amorosa mas superprotetora, o que reforçou traços da minha personalidade como a indolência e a timidez, que somente muito tempo depois foram superados, graças à ação transformadora do Espírito Santo em minha vida.
Jesus afirmou que como galhos de sua videira, precisamos ser periodicamente submetidos a podas espirituais, para que permaneçamos frutíferos (João 15:2). Essas podas são quase sempre dolorosas, mas são benéficas e essenciais, para que glorifiquemos ao Pai através de nossas vidas.
A maioria dos cristãos, diante das provações, se põe de joelhos como eu mesmo fazia, e clama a Deus em desespero e entre lágrimas, que os livre das lutas e lhes dê vitória o mais rápido possível.
Essa atitude covarde e infantil entretanto provocaria espanto e indignação ou talvez risos entre a maioria dos valentes guerreiros dos tempos bíblicos. Aqueles homens não dispunham de armas sofisticadas, apenas de um escudo, uma lança e uma espada e tinham que vencer batalhas em lutas corpo a corpo contra seus mais ferrenhos inimigos. Entretanto, a maioria deles se sentiam estimulados com isso e alguns até mesmo se alegravam com as batalhas.
Hoje não lutamos contra a carne, a nossa luta é na maioria das vezes espiritual, mas geralmente subestimamos o maior de nossos inimigos: o nosso próprio ego e simplesmente ignoramos o poder que Deus coloca à disposição de todos os que nele confiam.
Quando leio o relato das proezas dos trinta valentes de Davi, ressalta aos meus olhos o quanto nos tornamos frágeis, acomodados e covardes nos dias de hoje. Evidentemente nem todos nós nascemos fortes, mas Deus nos promete suprir as nossas fraquezas, desde que sejamos valentes, isto é, confiemos em seu poder.
Quantos de nós demonstram a coragem de enfrentar tão prontamente os gigantes espirituais com que temos que lutar hoje, como Davi demonstrou ao se prontificar a combater o gigante filisteu? Ou Josué e Calebe ao decidirem tomar posse da terra prometida, apesar das circunstâncias desalentadoras que ali encontraram? Ou ainda, o apóstolo Paulo, que se regozijava nas tribulações, antevendo o seu benefício futuro?
Esta é a exata medida de nossa fé: a confiança que demonstramos no poder do Deus a quem servimos, não durante os tempos de paz, mas durante os dias de luta. Essa medida é que vai determinar o tipo de cristão em que nos tornaremos.
terça-feira, 5 de julho de 2011
Nossas Lutas
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